As duas faces do Principe se encontram neste terceiro episódio da série

PofP: The Two Thrones (Parte II)

Lipe Vasconcelos
01/02/2010 15:02:00
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Por Lipe Vasconcelos
Por Lipe Vasconcelos


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PARA O LINEAR E ALÉM!

Enquanto The Two Thrones acerta no sistema de lutas, erra feio no andamento em geral do jogo. O terceiro episódio da série regressa a sua monótona "linearidade", ou seja, nada mais daqueles desgastantes, porém gostosos momentos de "mas eu já estive aqui" presentes em Warrior Within. É claro que o jogador ainda terá de procurar os velhos baús de conteúdo extra e aqueles clássicos upgrades de vida, mas nada que seja realmente difícil, uma vez que achá-los não requer uma busca de arrancar os cabelos. Em T2T o jogador terá de percorrer por toda a Babilônia, para isso usará de suas já conhecidas habilidades de dar saltos exageradamente longos, correr por paredes, se prender em placas de ferro com a adaga, e, no caso do Dark Prince, usar as correntes para puxar plataformas ou se prender em castiçais. O game ainda traz divertidas perseguições em bigas, ainda que não dure muito tempo, elas se tornam bem empolgantes. E para aqueles mais íntimos dos games anteriores ainda temos a boa e velha capacidade de retroceder no tempo e outros poderes como criar explosões e desacelerar o tempo, tudo isso graças à adaga do tempo.




Os gráficos de The Two Thrones são realmente soberbos, isso levando em conta o fato do game ainda usar a velha engine de The Sands of Time (se preferir interprete algo como: “não superou os gráficos de Warrior Within”). Os ambientes enchem os olhos de qualquer jogador, com direito a áreas a céu aberto, salões com diferentes texturas e iluminação variada. Nota-se que mesmo usando uma engine antiga o game não economiza na riqueza dos detalhes. Na parte de personagens também houve uma notável melhora em termos de detalhes, tudo ficou muito bom; porém, pessoalmente, eu achei Vizir um tanto mal feito e com uma péssima animação, fora isso, nada muito mais grave.




A parte sonora foi o ponto mais desastroso de Warrior Within, felizmente, a Ubisoft se redimiu com The Two Thrones. As dublagens não deixam nada a desejar; o dublador original do príncipe está de volta, e com uma interpretação mais notória do que em The Sands of Time (que beirava o tédio). A narração do game é feita por Kaileena, em uma interpretação mística e sedutora que caiu como uma luva; a voz de Farah também não decepcionou, tudo ficou ótimo. Mas um ponto que merece um destaque ainda maior são os momentos de discussão do príncipe com o seu lado negro, os diálogos são dotados de visível perturbação do Príncipe e constantes ironias do Dark Prince, o que deixa as conversas com um leve toque de humor.




A trilha sonora também é majestosa, sendo a melhor da trilogia, com direito a músicas com ótimas orquestras, temas mais sombrios e outros mais empolgantes. No game anterior, a Ubisoft quis buscar temas sombrios no heavy metal e acabou cometendo a péssima gafe de fazer uma ótima trilha sonora, mas ao mesmo tempo desastrosa por quebrar o clima do game. Mas eu continuo a não entender por que a Ubisoft insiste em deixar o game tão silencioso, algo que me incomoda desde o TSOT, essa mania das musicas só tocarem durante os momentos de luta. Pra mim, é um desperdício de uma bela trilha.




A jogabilidade em si não deixa a desejar, ou pelo menos não por completo, o velho problema da defesa que falha continua a persistir em The Two Thrones, fora isso, tudo responde na hora exata. A execução do Speed Kill também é boa, ainda que às vezes seja rápida demais, de modo que o mínimo de falta de atenção fará o jogador perder a seqüência dos golpes. O desafio também está menor do que nos games anteriores, puzzles menos complicados e o estilo linear facilitam demais. Os chefes, por outro lado, são bem variados e combinam de maneira espetacular o uso das habilidades do Príncipe.




O FIM DE UMA ERA

Prince of Persia - The Two Thrones é um game excelente e digno do nome que recebe. Infelizmente, a ousadia que a Ubisoft teve em Warrior Within não se estendeu a este jogo, causando uma triste regressão num modo geral. O erro não foi deixar de lado o estilo obscuro, nem um segundo príncipe que esta sempre perdendo energia, mas sim o de não fazer uma aventura mais bem elaborada e complexa. Mesmo falhando nesses pontos, The Two Thrones ainda consegue agradar pelo simples fato de manter a essência da série. The Two Thrones reserva momentos divertidos para os fãs da série e traz um enredo tão interessante quanto o dos games anteriores. Entre erros e acertos, a Ubisoft ainda consegue agradar os fãs desta grande série.

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