Impressões de um sucesso infalível! [X360/PS3]
Bayonetta (Parte II)

por Thiago Machuca, clique aqui para conferir o blog
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DIVERSIDADE, ORIGINALIDADE E CRIATIVIDADE!
Três elementos geniais que tornam Bayonetta num game único. E olha que não é fácil achar estas três coisas juntas num game. É interessante notar o tanto de referências de outras franquias famosas da Capcom - já que a Platinum Games nasceu da Clover Studio, dos tempos em que era um dos braços (e dos bons!) da Capcom. O game não esconde suas origens. Temos certa influência dos aspectos de Devil May Cry. Bayonetta quando se transforma numa pantera de verdade, ao correr elas deixa flores pelo caminho, assim como o Amaterasu, o lobo de Okami. Também é evidente as influências de Viewtiful Joe, outra obra prima dos tempos de Clover. Inclusive, é fascinante o quanto o game me lembrou de Joe. O efeito slow-motion, as poses e o barulho de máquina fotográfica ao fundo, os “Babys”, a história sendo narrada em alguns momentos como um rolo cinematográfico - tudo isso vindo direto das aventuras de Joe. Até mesmo um dos personagens secretos do game se chama “Zero”. Coincidência ou não, ainda vale a menção, vindo de um estúdio e talentosos desenvolvedores que nasceram na Capcom. Tem mais referências? Deixo para nossos leitores contarem. ;-)
Ahh e as argolas de Sonic, chamados no game de “Halos”! Não poderia me esquecer delas, emprestadas pela Sega, distribuidora do game! XD

Esse mix de homenagens mostra o quanto a Platinum foi criativa com tudo, pois o risco de parecer plágio é grande quando se tenta algo assim. Mas o jogo esbanja personalidade própria e tenta ser original em cada estágio criado. Existem até mesmo fases especiais, nas quais Bayoneta dirige uma motocicleta e um “míssil”, e o formato do gameplay muda completamente e ainda assim é um dos melhores momentos do game. Fiquei espantado com o tamanho destas fases, já que em geral quando se tem um estágio assim, no qual a tela corre automaticamente, geralmente a duração é curta, pois é preciso muito tempo e muita paciência para desenvolver um trajeto que não parece repetitivo a cada 40 segundos. Fiquei abismado com o tanto de coisa que o estúdio conseguiu colocar nestas fases para poder fazer com que cada momento delas sejam únicos.
Além destes estágios especiais, o jogo faz um belo trabalho com os estágios, sempre divididos em pequenos trechos chamados “verse”, que valem medalhas (bronze, prata, ouro, platina e pura platina) e estas influenciam a medalha final do capítulo. E cada pedaço é único. O jogo realmente se esforça para colocar o máximo de situações diversificadas possíveis e os novos inimigos surgem a cada capítulo e a cada episódio, é uma variedade assustadoramente grande para este tipo de game. Não que eles não se repitam em vários momentos, mas isso porque o jogo vai exigindo mais e mais do jogador ao colocar mais e mais deles num único verse para que você os derrote o mais rápido possível, com o menor dano possível e combos existentes. Não é tarefa fácil devo dizer. Lá pelos últimos estágios, cheguei a perder a conta do número de vezes em que morri devido à dificuldade destas batalhas. E olha que o game só possibilita ao jogador começar pela primeira vez pelo nível normal. O Hard e o Non-Stop Infinite Climax (Hardest) são habilitados só depois de fechar o game no nível normal, quer dizer, o Hard. O Non-Stop só depois de fechar no agonizante Hard.

Mais inacreditável ainda são os chefes e sub-chefes espalhados pelo game todo. Vários capítulos e verses são dedicados a batalhas épicas contra chefes absurdamente gigantescos, do tipo Shadow of Colossos em tamanho. São momentos daqueles que todo jogador torce para que seu game favorito os tenha também, sabe? Aqueles que você não irá esquecer tão fácil assim. Pode parecer exagero, mas o game realmente me deixou com essa impressão. Quer um exemplo? A batalha no meio do mar, contra um ser enorme e a Bayonetta numa placa de metal como prancha de surf. Toda essa batalha se passa num mar escuro, sob uma noite de tempestade, com milhares de ondas por toda a parte e você um único pontinho minúsculo na tela. Pior ainda quando o monstrengo resolve criar um redemoinho gigantesco mais ao final da batalha. Não é uma situação que você vê em qualquer game. Produzir esse trecho deve ter sido realmente trabalhoso imagino. E isso é só uma amostra do que o game oferece. Existem muitos outros momentos “bad-ass” nos quais Bayonetta se encontra com um inimigo 5 a 100 vezes maior que ela, e o jogador precisa entender qual é a estratégia para derrotar o inimigo. Apenas esmagar os botões de soco e chute acabam não tendo um bom resultado.
E se você acha que o game não tem mais nada a oferecer, está enganado. A Platinum Games criou um sistema de armas e acessórios que deixam muitos games por aí no chinelo. Estou falando de um novo sistema de batalhas para cada arma, que vão desde espadas, garras, chicotes à um daqueles patins para esquiar no gelo, sabe? E ainda dá para combinar duas destas armas e criar um novo sistema de golpes e combos. Sem mencionar as armas secretas que provavelmente você só conseguirá depois de virar o game uma porrada de vezes, assim como é com a bazuca da série Resident Evil, sabe? Eu dei uma espiada no You Tube nestas armas e fiquei de queixo caído com o quase sabre de luz que existe para quem virar o game no modo mais difícil. Ainda farei uma matéria à parte com todos os segredos de Bayonetta - que são muitos mesmo. O sistema de acessórios eu quase não pude testar a fundo, porque eles precisam ser comprados com os halos e são os itens mais caros do jogo. Acabei dando prioridade aos novos golpes e extras da loja e só no quase final do game comprei um acessório para facilitar a ativação do efeito slow-motion, que ajudou e muito a minha vida nos momentos finais do game. Até mesmo acessórios secretos existem para aqueles que curtem virar o jogo dezenas de vezes. Isso sem mencionar nos challenges secretos. Eu caí depois de mais da metade do game e levei quase 1 hora para conseguir vencer o desafio. É algo de maluco. Eu vi relatos no You Tube a respeito do Lost Chapter que é insanamente quase que impossível de vencer. XD

Como podem ver o jogo esbanja diversidade, é totalmente original, não há nada nesta geração que se comparem com a sagacidade do game e a criatividade está em toda a parte. Seja nos extras enormes que o game traz, no completíssimo sistema de batalha para todos os gostos, na criação e desenvolvimento tanto dos inimigos do game quanto dos cenários.
Talvez se for para puxar a orelha, seja mais ao final do jogo, quando a Platinum faz uma coisa meio estágios finais de MegaMan, sabem? Ela utiliza vários trechos de vários cenários do game para colocar batalhas contra muitos chefes e inimigos que você suou para vencer, em algumas situações diferentes. Claro que nesse estágio você está bem mais evoluído no sistema de armas e combos e por isso a experiência acaba sendo algo novo, e não apenas encheção de linguiça. Se você for pensar, era assim também com MegaMan, afinal você chegava no fim com armadura nova e todas as armas obtidas, a experiência de enfrentar tudo de novo era algo totalmente diferente. Até nisso Bayonetta se inspirou, mas trouxe num mundo 3D e de forma realmente divertida.

Fora isso, realmente não tenho do que reclamar do game. Bayonetta conseguiu colocar no chinelo muitos games exclusivos das plataformas atuais, nos quais você encerra um game e não tem mais nada para fazer nele. Isso sem precisar apelar para um modo de multiplayer online. Apenas o single-player para cativar o jogador por tantas horas e horas. Para os curiosos, eu levei 13 horas para fechar o modo normal, explorando o máximo possível e colhendo tudo que desse numa primeira partida. E mesmo assim deixei muita coisa para trás. E existem outras tantas que só são habilitadas depois de virar o game por uma segunda e terceira vez. E existe uma conquista no X360 com a qual é necessário virar o game em apenas 3 horas. Tarefa quase que impossível pra mim. Mas aí você precisa estar armado até os dentes, com barras e energia e magia ao máximo e pular todas as cutscenes existente no game todo. XD
Bayonetta é uma daquelas gemas de ouro que nascem a cada geração. Se você não jogou, vai perder um clássico. Não é à toa que já se fala numa possível continuação ou num spin-off da série. Mas aí é torcer para que consigam criar um mundo totalmente novo, sem reciclar nada do primeiro. Talvez seja exatamente isso que a Platinum Games pense quando mencionou um spin-off…
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