Impressões de um sucesso infalível! [X360/PS3]

Bayonetta (Parte I)

Mauri Link
06/02/2010 08:02:00
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“Perversão” é uma palavra complicada.  Muitas vezes ela é usada de forma pejorativa, maldosa e chegando até, em casos extremos, a ser até equiparada como uma doença. Não leve a utilização desse termo nesse texto desta forma mais extremista da palavra. Pervesão também aquilo que é anormal à um grupo. E se o mundo todo fosse normal, não haveria graça alguma nele. Todos somos um pouquinho anormais perante a visão de algumas pessoas. O próprio conceito de anormalidade é mutável ao longo da história da humanidade.




Ressalvas feitas, é hora de falar de Bayonetta. O game realmente traz alguns elementos que não são tão habituais assim nos videogames. Não que isso o torne politicamente incorreto, pois ele não tenta em nenhum momento parecer algo que possa realmente existir, lembrando mais um “conto de fadas” feito especificamente para o público adulto.

Mas se fosse apenas isso, Bayonetta não seria um game brilhante. Ele é brilhante graças à experiência e a genialidade da Platinum Games ao trazer um gameplay viciante, numa estrutura de fases cinematográficas e numa fórmula que visualmente é fantástica e um sistema de jogabilidade diversificado e divertido.




CLIMAX ININTERRÚPTO?

Foi essa a idéia principal que tive jogando as primeiras horas de Bayonetta. O game começa de forma tensa, continua assim por um bom número de capítulos e praticamente dobra todo o climax criado quando você chega ao fim do game. É um game que te deixa com níveis de adrenalina lá no alto do começo ao fim. E olha que não é fácil um game tirar o fôlego do jogador assim desta maneira.



Só a título de comparação, enquanto Assassin’s Creed II tem uma curva de aprendizado lento, que leva horas e mais horas, até que o personagem aprenda a lutar, esconder, esquivar etc. Em Bayonetta, o jogador despenca numa tela de apresentação onde já está rolando uma luta intensa entre alguns personagens da história do game. Claro que nessa tela não há barra de energia e não é possível morrer. Você cai ali só para ir testando combos e botões enquanto a história continua sendo narrada ao fundo e você possa já ir sentido o gostinho do que lhe espera a seguir. Mas é assim, Bayonetta já dá o garfo e a faca ao jogador desde o primeiro minuto do game e pede para ele se virar como puder.

É realmente interessante isso. Jogadores casuais ou não habituais podem se sentir sufocados num game assim, mas a Platinum games parece que realmente não estava a fim de ensinar o “alfabeto” aos jogadores. Você aprende a jogar Bayonetta no velho estilo aperte e veja o que acontece. Claro que algumas coisinhas vão sendo explicadas com o tempo, como o poder de parar o tempo por alguns segundos ao se desviar de um golpe no momento exato ou dos métodos de torturas que gastam a barra de magia. Mas fora isso, caso o jogador queira testar os combos e golpes, só mesmo na tela de loading (quando é possível travar ela, apertando “back” no controle do X360) e ficar ali só testando até alcança a complexidade dos golpes. Uma lista de combos nessa tela também será extremamente útil mais à frente, quando você perceber que apenas uma única sequência de combos não dá para ir muito longe.




CONOTAÇÕES SEXUAIS E UMA BELA PROTAGONISTA!

Outra prova de que o game não foi desenvolvido para qualquer um, é o teor sexual do mesmo, mostrando que não é brincadeira o selo “mature” (+18 anos) estar estampado em sua capa. Não que haja sexo no game, mas Bayonetta não tem travas na língua. O famigerado “fuck” que os americanos tanto adoram para xingar ou mostrar que um programa de TV é mais adulto do que outros, está ali, sendo falando por incontáveis vezes.

Mas como eu disse, Bayonetta parece tão ficcional, que não há aquela perversão exagerada. Tudo até que faz sentido dentro de certo contexto. Quando games de ação têm protagonistas masculinos, já é meio clichê que sejam brutamontes, ou boca-sujas, ou “fodões”, daqueles que derrubam um prédio de 20 andares com um chute, sabem? Então é até bacana ver uma protagonista feminina que seja tão “bad-ass” quanto os modelos masculinos.

Bayonetta realmente é extrovertida, boa de mira e exageradamente forte. Quem jogou ou viu no YouTube presenciou os chefes enormes que o game tem e Bayoneta os vencendo com as mãos “nuas”, sem necessitar de uma bazuca, uma engenhoca ou algum acessório enorme que favoreça a vitória. Sendo assim, ela tem mais do que o direito de brincar com sua sexualidade, sem parecer promíscua; aliás, o que é interessante, porque em geral quando se brinca muito assim como uma personagem feminina, rapidamente a tacham disso, muitas vezes injustamente.




Não leve a sério tudo que rola em Bayonetta. Nem mesmo a história se preocupa em fazer tanto sentido. Ela existe e mais para o final até vai fazer você ficar interessado para saber o que vai dar de toda essa guerra angelical, mas ela age mais em favor do gameplay do que qualquer outra coisa.

É de elogiar também o excelente tratamento que a Platinum Games deu a Bayonetta - que se mexe e contorce com uma realidade de se espantar. Claro que ainda é um personagem 3D, irreal, mas os esforços do estúdio para que os gamers mais taradões ficassem mais ligados nas curvas da personagem é notável. Inclusive com os ângulos pra lá de abusivos nas cenas animadas.

Quanto às animações derivadas dos ataques do modo tortura, alguns podem mesmo parecer exagerados, mas leve na brincadeira que tudo ali é feito com monstros, e assim como os animes, monstros e seres irreais podem ser despedaçados e judiados à vontade sem que a censura se importe com o fato. (É sério isso! É a velha história do sangue roxo versus o sangue vermelho, nunca ouviram?).

De qualquer forma, foi uma decisão bem ousada da Platinum games criar Bayonetta neste formado. Não tanto pelo lançamento no Japão - afinal a terrinha do hentai e dos games eróticos não esquenta realmente com isso. Mas Bayonetta é um jogo mundial, saiu em vários países, lugares de culturas diferentes e que trata determinados temas de forma mais fechada. O mais legal é que o jogo não precisa disso para chamar a sua atenção, apesar de ter funcionado também, porque as outras qualidades chegam até mesmo a se sobressair sobre qualquer sexualidade que o game brinca. Não é a toa que vem sendo um sucesso mundial pela crítica, porque tem sim competência de sobra e coloca certos games do mesmo gênero no chinelo.

Aliás, também foi genial colocar estes seres angelicais monstruosos como inimigos do game, sem que em nenhum momento seja citado ou feito alguma apologia a determinada religião. É uma forma inteligente de não cutucar nenhuma das religiões existentes, evitando assim qualquer tipo de confronto religioso. Cutucar religião nunca é vantagem, porque é um assunto no qual a lógica e a razão nunca funcionam no bom sentido.


[continua...]

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