Diário de bordo: Policenauts (Prólogo)

Policenauts

Prandoni
02/09/2009 15:09:00
ver perfil | fale com este editor





Em cópia descarada homenagem aos colegas retronautas do Gagá Games , começo aqui um registro nos mesmos moldes dos Diários de Bordo que eles cunham por lá.

Minha vítima é uma preciosidade de Hideo Kojima, o aclamado e recluso Policenauts. Antes de partir para o diário de bordo em si, um pouco de contexto.

Sucessor espiritual de Snatcher, Policenauts é um jogo dirigido por Hideo Kojima e lançado em 1994 para NEC PC. Nos dois anos seguintes rolaram versões para 3DO, Saturno e PlayStation. O detalhe crucial é que tudo isso só rolou no Japão nipônico, deixando a nossa meninada aqui a ver cometas. Uma versão ocidental chegou a ser anunciada para Saturno, mas nunca saiu. Blé.




Felizmente, após cerca de três anos de trabalho, um grupo de dedicados fãs traduziu o jogo inteirinho para o inglês e conseguiram programar o texto no game, criando assim uma versão não oficial em inglês. Justamente a que estou jogando no PSP. Olha o trailer aí abaixo:


Minha ansiedade por Policenauts era imensa (na verdade ainda é). Joguei a versão Sega CD de Snatcher e fiquei completamente fascinado pelo roteiro ambientado em um futuro cyberpunk e pontuado por sequências de tiro. Policenauts segue a mesma linha, optando por centralizar elementos da trama em exploração espacial, e carrega uma marca forte do trabalho de Kojima: referências.

A princípio referências pop, posteriormente auto referências, visto que o título possui ligações sutis com a série Metal Gear Solid. Pelo lado da cultura pop, o protagonista é citação direta a Mel Gibson nos filmes da franquia Máquina Mortífera – tem até aqueles mullets característicos dos anos 80 e um parceiro que lembra demais o Danny Glover.

Enfim, nesse caldeirão de citações Kojima fermenta uma trama absolutamente instigante desde os primeiros momentos e partilharei aqui minhas impressões seguindo a ordem de capítulos determinada no próprio jogo. Assim sendo, começo com o Prólogo.




Como é de se esperar de um jogo do Kojima, muita história, muito texto, muito a explicar no início. A temática de viagem espacial me empolga e Policenauts ainda tem um elemento matador que me ganha de forma irreparável: choques temporais. Nada ao estilo Chrono Trigger, com viagens no tempo e tal, mas o lance é que o protagonista Jonathan “Mel Gibson” Ingram sofre um acidente (ou seria sabotagem como chega a sugerir o filminho?) e fica vagando congelado por 25 anos no espaço sideral.

Ao ser resgatado, volta à vida mas com tudo perdido: mulher, amigos, emprego. Tudo. O cara se vira então no mundo do futuro fazendo uns bicos de policial durão na Velha Los Angeles, podre e suja como bem preza toda cria cyberpunk de Neuromancer.

Aí o jogador entra em ação e rola outro baque temporal: a interface é razoavelmente ultrapassada. Ao estilo aponte-e-clique, exige que se clique com o cursor em pontos de interesse para aí sim surgir um leque de opções – que geralmente se resume apenas a examinar…

Ao menos a atenção aos detalhes impressiona e entra em cena a habilidade narrativa de titio Kojima. Você conhece melhor o herói, seu passado e tal pelos objetos no cenário, como fotos, recortes de jornal, objetos e assim vai. Logo em seguida rola mais um momento forte da trama: a ex-esposa de Jonatham, Lorraine, agora já uma mulher madura, aparece no escritório em busca de ajuda para encontrar o atual marido, que desapareceu. Segue um diálogo tenso, muitos detalhes para se perguntar.

A moça vai embora, mas sofre uma emboscada: um bandido meio robô do outro lado da rua explode o carro dela e Jonatham sai no encalço. Aí aparece a herança de Snatcher na forma de um tiroteio.

Contudo, nada de áreas pré-determinadas como Snatcher, aqui se controla uma mira que pode atirar em qualquer parte do cenário. O lance é meio Time Crisis: marque o lugar do bandido, fique quietinho e desça chumbo quando ele aparecer.




Alguns tiros e o cara corre para um beco. Na perseguição, Jonatham estranha a rapidez dele e o sangue branco que escorre pelo beco. Uma coisa chata: para habilitar a próxima cena de bangue-bangue é necessário vasculhar todos os objetos possíveis do cenário, alguns mais de uma vez. Tática meio picareta de assegurar que o jogador terá todas as informações necessárias, mas meio enfadonho. Vários cliques e chumbo descarregados depois, o malvado foge de motoca, deixando uma ameaça de morte a Jonatham.

Em seguida, Jonatham finalmente acode Lorraine, que já está nos últimos suspiros. O casal, separado pelo hiato de um quarto de século, partilha um último momento sob o céu estrelado. Lorraine se vai clamando por ajuda para o marido e, mais importante ainda, a filha Karen, que está doente. Esboça-se uma trama repleta de mistérios a resolver e fortes ameaças.

É jogo do Kojima, então sei que reviravoltas fortes vêm aí. Resta agora desvendar tudo.

Muito em breve (ou assim espero!), as impressões sobre o capítulo 1 de Policenauts!

ENVIE PARA UM AMIGO

*Seu nome:
*Seu email:
Comentário:
*Email de amigos:
*Separe mais de um email por vírgulas

Você precisa estar logado para poder comentar